FRÉDÉRIC FRANÇOIS CHOPIN

Frédéric François Chopin nasceu em Zelagowa-Wola, na Polônia em 1809, nos arredores de Varsóvia. Era o quarto filho depois de três meninas.
Foi criado em Varsóvia onde seu pai, o francês Nicolas Chopin, foi nomeado professor da Universidade. Sua mãe, Tekla Justina, era polonesa.
Teve uma infância mimada, culta e carente de cuidados, já que tinha predisposição para infecções pulmonares. Vivia entre ricos e a nobreza, pois seus pais também eram músicos e transitavam nos salões da corte.
Começou a estudar piano aos seis anos com o professor Adalbert Zwyny. Tinha um talento musical quase tão grande quanto o de Mozart.
Devido à sua constituição física delicada, gerava ansiedade em todos os membros de sua família e o mal que lhe acometia o corroía internamente. Apesar de doente, era orgulhoso, vaidoso e aristocrático. Conforme foi entrando na adolescência, se distanciava das maneiras de rapazinho comum. A fumaça dos cigarros lhe fazia mal, a bebida dava-lhe dor de cabeça e o que lhe despertava interesse era apresentar-se às senhoras da nobreza.
O seu primeiro concerto ocorreu quando ele tinha somente oito anos, quase ao mesmo tempo em que sua primeira obra fora publicada, uma Polonaise. Continuou sua carreira, conciliando seus estudos no Liceu de Varsóvia com as aulas de piano. Em 1825 apresentou-se para o Czar Alexandre I e publicou aquele que seria seu Opus 1º, o Rondó em Dó Menor.
Seu aspecto físico doentio não toldava sua obra, pelo contrário usava da melancolia para subtrair suas angústias e isso ainda com seus vinte anos de idade. Essa tristeza não era advinda de experiências da vida, mas sim da desesperança daqueles que sabem sofrer de um mal incurável, em seu caso a tuberculose.
Até os vinte anos teve um caso de amor sem paixão pela soprano Constantia Gladkowka, que foi transitório, e uma grande amizade apaixonada por seu companheiro de infância Titus Woyciechowky, que durou toda a vida. Seu amigo, que era constituído de corpo másculo e espírito forte, era o complemento para a personalidade de Chopin, que era frágil de corpo e de grande alma sensível.
Extremamente patriota, não se conformava com o domínio russo que subjugava os poloneses, sendo que em suas obras esse sentimento é patente. Queria lutar pela liberdade de seu país, que acabou por não acontecer, pois a Polônia foi esmagada na revolução e os russos tomaram a capital, Varsóvia. Em seu íntimo, Chopin sofria e dizia: “aqui estou eu, com as mãos vazias, deitando meu desespero em notas tinintes, ao passo que Moscóvia governa ao mundo”.
Certa vez, durante um banquete no palácio dos Condes Wodzinsky, Chopin executou a Fantasia Improviso. O Conde ordena que ele continue tocando, mas o estudo em Lá Bemol é interrompido, pois Chopin se recusa a tocar para membros da corte do Czar que oprime sua terra, a Polônia. Disse que não tocaria na presença de “açougueiros do Czar”.
Com o tempo, essa aflição foi abrandada e ele parte para Paris, onde sua vida toma novo vigor. Encontra em Paris vários outros artistas, como Alfred de Musset, Hector Berlioz, Victor Hugo, Baudelaire, Balzac, todos pertencentes ao Movimento Romântico, além de outros ilustres de países vizinhos que visitavam a França, como Franz Liszt, Heinrich Heine e Mendelssohn.
Nesse meio, entre grandes artistas, Frédéric caminhava, ainda que doente e triste, mas ao piano arrebatava a todos.
O primeiro a reconhecer o talento de Chopin foi Franz Liszt, que era o maior pianista de seu tempo. Quando Frédéric se apresentou pela primeira vez em Paris, Liszt e Mendelssohn, ao seu lado, compreenderam que ali estava outro grande artista e apesar do receio de Liszt de que sua carreira pudesse ser eclipsada por este novo talento, os dois tornaram-se amigos para a vida inteira.
Ao contrário de Liszt, Chopin era avesso a multidões, era mais aristocrático e preferia tocar em salões onde a própria aristocracia se encontrava. Afeiçoou-se a grande número de mulheres, que o tratavam maternalmente. Adorava crianças e preferia que suas obras fossem julgadas por elas que pelos críticos.
Levava uma vida sofisticada em meio aos salões da aristocracia e nas salas de concertos. Em 1835, reencontrou Maria Wodzinska, que conhecera em Varsóvia ainda criança. Perceberam-se apaixonados e noivaram um ano depois, mas a saúde de Chopin piorava e começaram a aparecer expectorações sanguinolentas, típicas da tuberculose, e com isso a família resolveu romper o noivado.
Em 1837, conheceu aquela que seria sua companheira por quase dez anos, chamava-se Aurora Dudevant, escritora que usava o pseudônimo de George Sand. Mulher muito avançada para sua época, vestia-se como homem, xingava e amava como tal. Era mãe de dois filhos legítimos, teve vários amantes, mas nunca um que saciasse seus desejos e que a subjugasse.
Tal paixão foi vivida em Maiorca, onde pensou-se que seria melhor para a saúde tão frágil do pianista, mas que se agravou, pois o clima úmido e chuvoso fez com que as crises de hemoptise fossem mais constantes. Isso apavorou a população local, que exigiu a expulsão do casal e também o empapelamento das paredes da casa onde moraram.
Foram morar, então, em um mosteiro com paredes de pedras e celas silenciosas, mas que no teto escutava-se o barulho da chuva. Foi nesse ambiente que Chopin parecia enterrado em vida, só vivia para sua música dedicando-se inteiramente ao piano, deixando o trabalho de orquestrações para outros músicos mais pretensiosos. Sua linguagem musical era sobre a beleza, preferia frases simples, como que sussurradas. Era o poeta do som.
Tinha como propósito espiritualizar o timbre do teclado, dar alma ao piano. Em 1839, o casal volta à Paris.
Com a doença piorando, a paixão torna-se amizade e Sand passa a ser uma espécie de enfermeira durante sete anos, quando, em 1846, publica o livro Lucrezia Floriani, em que conta a história de uma bela e pura donzela que se apaixona por um príncipe tuberculoso e sensível. Mas o nobre neurastênico, ciumento e egoísta, põe fim ao amor entre os dois. Todos os que conheceram Chopin achavam o livro ofensivo. Mesmo assim, Frédéric engole a provocação e, embora magoado, só rompe com Sand um ano mais tarde, por causa de uma briga familiar entre Sand e sua filha. Chopin, inocentemente, toma partido a favor de Solange. Para desgosto do compositor, eles não se veriam mais, apesar dele dizer que ainda a amava.
Tornou-se figura lendária. Vestia-se com apuro, dizia-se que dele emanava odor de sepultura e suas composições, segundo os críticos, eram tristes e de mórbida beleza.
A tuberculose piorou. Sua irmã Luíza veio de Varsóvia para cuidar dele, uma vez que não podia mais sair da cama. Morreu na madrugada de 17 de outubro de 1849. A seu pedido, seu coração foi enviado para Varsóvia e seu corpo enterrado em Paris, mas seu caixão foi coberto por terra polonesa.

OBRA

Chopin dedicou sua obra ao piano, exceto uma ou duas peças para violoncelo, um trio de câmara e algumas canções. Não é possível se falar em história da música sem mencionar Chopin. Sua música é extremanente sedutora, tanto para entendidos como para ouvidos comuns, justamente pelo fato de serem melodias peculiares que criam ambientes de devaneios e encantamento. Essa melodia tem origem no bel canto das óperas italianas e do folclore polonês. Ele fazia o piano cantar.
Além de grande melodista era também original na harmonia. Sua obra é intimista. Sendo um homem reservado, seu estilo de tocar piano era suave, quase etéreo.
Estruturalmente, sua obra compreende pequenas formas livres do início do século XIX: baladas, mazurcas, valsas, fantasias, noturnos e duas sonatas que não foram bem recebidas por seus contemporâneos.
Chopin via-se mais como um clássico do que um romântico, baseia sua obra em Haendel e tem Bach e Mozart como modelos insuperáveis de perfeição.
Compôs desde jovem, ainda na Polônia. Destacam-se os dois concertos para piano e orquestra, que são os mais populares.
Em Paris, dedicou-se mais a peças para piano solo. Em particular noturnos, que são devaneios poéticos, líricos e sombrios. Talvez o mais famoso seja o Opus 9 nº 2.
As valsas também são grandes prediletas do público, sendo que compôs dezoito. Não são para dançar, como as de Strauss. É famosa a Opus 64 nº 1, conhecida como a Valsa do Minuto, na verdade denominada de Valse Diminute, ou valsa diminuta, pequena. Outra também é a 7ª Valsa e a Opus 69 nº 1 conhecida como a Valsa do Adeus (póstuma).
Não podem ser esquecidas as obras de origem patriótica, que são as polonaises e mazurcas. São ao todo 15 polonaises, a mais conhecida é a 6ª, dita Heróica, titânica e sentimental. São peças que mostram o sofrimento de se estar longe da pátria, com esta sob o jugo dos invasores russos. Tanto as polonaises quanto as mazurcas são baseadas em ritmos poloneses. Escreveu também 4 scherzos, que têm semelhança com a polonaise, por sua tensão e vigor. Scherzo, como peça independente, é uma novidade de Chopin, já que esse tipo faz parte geralmente de obras maiores, como sinfonias e sonatas. O Scherzo nº 1 Opus 20 é um exemplo de angústia e desespero.
As baladas, os estudos e os prelúdios são considerados os três grandes ciclos da produção chopiniana.
São quatro as baladas que passam uma grande quantidade de sentimentos e emoções para peças tão curtas e são também terrivelmente difíceis para solistas. A quarta balada é a mais impressionante pela variedade de sons que apresenta.
Os estudos, que contam em número de 24 são divididos em dois volumes, Opus 10 e Opus 25, e exploram todas as possibilidades do instrumento.
Os prelúdios são também 24, em um só volume, Opus 28. Os prelúdios não precedem uma fuga ou alguma peça, como é em Bach. São perfeitamente acabados, tanto em nível estrutural como emocional. Encantaram Liszt e vem encantando gerações desde sua publicação, em 1839. Assim como toda a obra de Chopin.



Frédéric François Chopin nasceu na Polônia e morreu em França no século XIX. Sofria de tuberculose e isso se refletiu em toda sua obra, na qual vemos traços de melancolia. Considerava-se muito mais um clássico que um romântico, baseando sua obra em Mozart.
Chopin era extremamente patriota, o que também externou em suas peças nacionalistas, como as polonaises e mazurcas. Morreu jovem, com apenas 39 anos. Seu corpo encontrasse sepultado em Paris, mas seu coração, conforme sua vontade expressa, foi enviado para a Polônia.

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